O candidato a deputado estadual Wagner Alves (União Brasil), marido da prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos (União Brasil), foi acusado de oferecer cirurgias e atendimentos hospitalares em troca de votos e apoio político durante a campanha eleitoral. A denúncia foi feita pela vereadora Lara Fernandes (Republicanos), esposa do vice-prefeito Aloísio Alan, que afirmou ter tomado conhecimento da prática durante visitas a municípios da região.
Segundo a parlamentar, procedimentos de saúde estariam sendo utilizados como moeda de troca para obtenção de apoio eleitoral.
Candidato já responde a ação na Justiça Eleitoral
As novas acusações surgem enquanto Wagner Alves já é alvo de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) por suposto abuso de poder político e econômico.
A ação sustenta que a estrutura da Prefeitura de Vitória da Conquista teria sido utilizada para favorecer sua candidatura, com a criação de cargos comissionados para atender lideranças políticas, ex-candidatos e familiares de vereadores aliados, além da exposição do candidato durante o Arraiá da Conquista, evento financiado com recursos públicos.
O processo pede a cassação do registro de candidatura de Wagner Alves e sua inelegibilidade por oito anos, além de responsabilizar a prefeita Sheila Lemos.
Denúncia ocorre em meio à crise na saúde
A acusação também ocorre em um contexto de críticas à situação da saúde pública no município.
Segundo o relato, vereadores da cidade têm apontado falta de medicamentos, escassez de insumos, suspensão da coleta de exames laboratoriais na zona rural, demora na realização de cirurgias eletivas e filas para exames que chegam a até três anos de espera.
No mesmo período, a Fundação Pública de Saúde abriu um credenciamento de empresas para a realização de um mutirão de cirurgias eletivas, lançado após o início oficial da campanha eleitoral.
Possíveis consequências
De acordo com o entendimento consolidado da Justiça Eleitoral, a oferta de consultas, exames ou cirurgias em troca de votos pode caracterizar captação ilícita de sufrágio e abuso de poder econômico, infrações que podem resultar na cassação da candidatura e na declaração de inelegibilidade dos envolvidos, caso as acusações sejam comprovadas.