O escritor e pré-candidato à Presidência da República pelo partido Avante, Augusto Cury, fez duras críticas ao cenário político brasileiro durante entrevista concedida ao Bahia Notícias nesta quinta-feira (11). Ao comentar o atual ambiente político do país, Cury afirmou que o nível de polarização atingiu patamares preocupantes e comparou o comportamento de grupos políticos radicais ao de seitas.
Segundo o pré-candidato, a falta de autocrítica entre apoiadores mais fervorosos representa um dos principais obstáculos para o amadurecimento das lideranças políticas e para o fortalecimento da democracia.
“Quem são os piores inimigos de um líder? São aqueles que aderem a eles de maneira radical, sem usar sua autocrítica para poder contribuir com eles”, afirmou.
Durante a entrevista, Cury citou diferentes correntes ideológicas e lideranças políticas para defender que o excesso de idolatria prejudica o desenvolvimento de qualquer projeto político.
“Quem são os piores inimigos de Marx? São os marxistas; de Trump, os trumpistas; de Lula, os lulistas; e de Bolsonaro, os bolsonaristas”, declarou.
Para o escritor, a identificação excessiva com uma figura política leva à supervalorização de suas ações e reduz a capacidade de apontar erros e promover melhorias. “Toda vez que você é um ‘ista’, você supervaloriza, você não contribui mais, você só aplaude e não fala dos defeitos. Isso impede que eles evoluam”, acrescentou.
Augusto Cury também destacou que o debate político brasileiro tem sido marcado por níveis crescentes de intolerância, o que, em sua avaliação, dificulta o diálogo e o surgimento de soluções para os principais problemas do país.
As declarações ocorreram em meio às movimentações para as eleições presidenciais de 2026, período em que partidos e pré-candidatos intensificam a apresentação de propostas e posicionamentos sobre o cenário nacional.