Protestos por melhores condições de trabalho, faixas contra o presidente dos EUA, Donald Trump, e confrontos com a polícia marcaram as manifestações do Dia do Trabalho no mundo nesta sexta-feira (1°).
O ex-líder cubano Raul Castro, de 94 anos, juntou-se a milhares de cubanos em uma marcha que passou pela orla de Havana e pelo prédio da embaixada dos EUA. As tensões entre os países aumentaram nas últimas semanas com Trump ameaçando invadir o país. Nesta sexta, ele anunciou que vai ampliar as sanções econômicas.
Raul Castro recebeu um livro contendo mais de 6 milhões de assinaturas de cubanos —quase dois terços da população— demonstrando a vontade popular de defender o país de um possível ataque militar direto dos EUA.
“Hoje Cuba demonstrou mais uma vez que este povo não se rende e que defenderemos nossa pátria com unhas e dentes, mesmo querendo paz”, disse Milagros Morales, 34 anos, moradora de Havana que participou da marcha.
A marcha deste ano foi reduzida, já que o governo não conseguiu fornecer o transporte e as rotas especiais que normalmente organiza devido ao bloqueio de petróleo dos EUA, mas as autoridades afirmaram que mais de 500 mil participaram do ato.
A Venezuela, outro país alvo de sanções dos EUA, teve manifestações contra a nova “renda mínima integral” que subiu de US$ 190 para US$ 240, anunciada nesta semana pela líder interina Delcy Rodríguez, que assumiu o posto do ditador Nicolás Maduro, deposto após invasão dos norte-americanos no início do ano.
Ao coro de “bônus não é salário”, cerca de 1.500 trabalhadores, sindicalistas e aposentados marcharam por cerca de quatro quilômetros pelo centro de Caracas.
Trump foi lembrado em protestos nas Filipinas, onde o seu rosto e do premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, foram queimados por manifestantes. Os participantes entraram em confronto com policiais, que usaram jatos de água para conter os atos.
Na Argentina, a figura do presidente Javier Milei também foi alvo dos manifestantes, que protestaram em Buenos Aires contra a reforma trabalhista promovida pelo governo em ato liderado pela CGT (Confederação Geral do Trabalho).
Entre os principais pontos criticados estão a ampliação da jornada para até 12 horas diárias, aumento do período de experiência, flexibilização de contratos e a substituição do pagamento de horas extras por folgas. As mudanças, segundo entidades sindicais, aceleram a precarização de um mercado de trabalho já afetado pela informalidade.
Na França, a tradicional marcha sindical em Paris também foi marcada por confrontos entre policiais e participantes. Registros de tumulto e correria tomaram as redes sociais, com imagens mostrando agentes da polícia com escudos e outros equipamentos antimotim.
Na Turquia, mais de 500 pessoas foram presas. Dois grupos em particular foram alvo das forças de segurança em bairros distintos, enquanto indicavam a intenção de ir à praça Taksim, local emblemático dos protestos na Turquia.
Já no Chile e na Coreia do Sul, manifestantes foram às ruas para solicitar melhores condições de trabalho, como ocorreu no Brasil com os atos contrários à escala 6×1.