SALVADOR — O governador Jerônimo Rodrigues (PT) consolidou e expandiu sua força política na Bahia ao garantir a reeleição logo no primeiro turno das eleições deste domingo (4). Com uma votação expressiva, o petista conquistou 55,80% dos votos válidos (o equivalente a 4.626.509 votos) e ampliou de forma significativa o seu domínio territorial, saindo vitorioso em 376 dos 417 municípios baianos.
O resultado representa uma expansão da presença eleitoral de Jerônimo em comparação com o pleito de 2022. Naquela ocasião, ele liderou o primeiro turno em 352 municípios, mas a disputa foi para o segundo turno. Desta vez, o atual governador superou as projeções das pesquisas e encerrou a fatura de imediato.
Seu principal adversário, ACM Neto (União Brasil), repetiu o papel de principal antagonista, mas terminou a disputa com 43,72% dos votos válidos (3.625.227 votos), vencendo em 41 cidades.
O desenho das urnas: Interior com o PT, grandes centros com o União Brasil
A geografia do voto desenhou um cenário de contrastes no estado. Apesar de ter conquistado um número total menor de municípios, ACM Neto demonstrou força em grandes colégios eleitorais e venceu em algumas das principais e mais populosas cidades baianas, incluindo:
Salvador
Feira de Santana
Vitória da Conquista
Camaçari
Lauro de Freitas
Ilhéus e Itabuna
Jequié
Barreiras e Luís Eduardo Magalhães
Porto Seguro e Eunápolis
Por outro lado, a avalanche de votos de Jerônimo Rodrigues foi impulsionada por uma vantagem avassaladora nas cidades do interior e em importantes centros regionais como Alagoinhas, Juazeiro, Paulo Afonso, Xique-Xique, Vera Cruz e Bom Jesus da Lapa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também demonstrou sua força histórica no estado, vencendo expressivamente em 413 dos 417 municípios baianos.
A força do “Time de Lula” e os embates da campanha
A estratégia de campanha de Jerônimo buscou nacionalizar o debate, reforçando a todo momento a sua associação direta com o presidente da República sob o slogan “Time de Lula na Bahia”. A aliança foi carimbada na reta final com uma caminhada em Salvador que reuniu uma multidão de apoiadores entre os bairros de Ondina e Barra.
O avanço de Jerônimo nas urnas ocorreu a despeito de uma campanha marcada por debates intensos e ataques mútuos. A segurança pública foi o principal calcanhar de Aquiles explorado pela oposição, que criticou duramente os índices de violência no estado. Jerônimo defendeu sua gestão focando nos investimentos em inteligência, contratação de novos policiais e compra de equipamentos e viaturas.
A área da saúde, especialmente a fila da regulação de leitos, e os questionamentos sobre o andamento das obras da Ponte Salvador-Itaparica também centralizaram os confrontos diretos entre o petista e ACM Neto.
Após a confirmação do resultado, Jerônimo declarou que a Bahia vai “seguir avançando”. Já ACM Neto atribuiu o resultado final ao que chamou de “campanha de baixo nível” promovida pelo atual governador.
Urnas contrariam pesquisas da reta final
O desfecho do primeiro turno surpreendeu quem acompanhava os levantamentos estatísticos. As pesquisas de opinião indicavam um cenário de empate técnico e uma disputa muito mais acirrada.
A pesquisa Quaest divulgada no sábado (3), véspera da eleição, apontava Jerônimo com 52% e ACM Neto com 48% dos votos válidos. Em levantamentos anteriores, de agosto e setembro, Neto chegou a liderar ou aparecer numericamente empatado dentro da margem de erro, mas o favoritismo do governador se consolidou na abertura das urnas.
Perfil: Quem é Jerônimo Rodrigues
Nascido em Aiquara, no sudoeste baiano, Jerônimo Rodrigues tem 61 anos, é engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e professor universitário licenciado.
Sua trajetória no Executivo estadual começou em 2007, na gestão de Jaques Wagner (PT). Ele também ocupou cargos no governo federal e coordenou o programa de governo de Rui Costa (PT) em 2014, vindo a assumir posteriormente as secretarias de Desenvolvimento Rural e, em 2019, a da Educação.
Após vencer ACM Neto no segundo turno em 2022, Jerônimo assegura agora o seu segundo mandato consecutivo ao lado do vice-governador Geraldo Júnior (MDB), consolidando a hegemonia do Partido dos Trabalhadores que governa o estado desde 2007.