Presidente ainda não bateu o martelo sobre participação no confronto televisivo, mas aliados defendem ida ao programa como estratégia para antecipar disputa de um possível segundo turno

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a reavaliar a possibilidade de participar do debate presidencial da TV Globo, marcado para quinta-feira (1º), após o avanço de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas de intenção de voto para a eleição de 2026.

A decisão ainda não foi tomada, mas integrantes da campanha intensificaram a pressão para que o petista compareça ao encontro televisivo. Nos bastidores, a avaliação é de que o debate pode servir como palco para antecipar o confronto esperado em um eventual segundo turno, além de oferecer ao presidente uma oportunidade de defender a gestão federal diante de uma audiência expressiva.

Entre os principais defensores da participação estão o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Sidônio Palmeira, e o presidente nacional do PT, Edinho Silva.

Pressão por exposição em horário nobre

Aliados argumentam que o debate será exibido logo após o Jornal Nacional, em horário de grande audiência. Como referência, o debate da Globo no primeiro turno das eleições de 2022 registrou 26 pontos de audiência.

Outro fator considerado estratégico é o potencial de repercussão nas redes sociais, com a geração de trechos em vídeo que podem ampliar o alcance das mensagens da campanha.

Segundo relatos da coordenação da campanha, a emissora manterá o púlpito reservado ao presidente vazio caso ele opte por não comparecer.

Ausência de Lula pode influenciar decisão de Flávio

Nos bastidores, interlocutores avaliam que uma eventual ausência de Lula pode levar Flávio Bolsonaro a também faltar ao debate.

O senador do PL condicionou sua participação à presença do presidente, embora aliados do petista ponderem que não há garantia de que o adversário mantenha essa posição até o momento do evento.

A avaliação é de que o parlamentar também teria interesse em evitar questionamentos sobre sua relação com o caso envolvendo o Banco Master.

Em maio, veio a público um áudio em que Flávio Bolsonaro solicita recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para concluir um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Receio de ataques coordenados

Apesar da pressão favorável à participação, parte do PT mantém resistência à ideia.

O principal argumento é que Lula poderá se tornar o alvo prioritário dos demais candidatos, muitos deles posicionados à direita do espectro político, criando um ambiente de ataques simultâneos durante o debate.

Outro ponto de preocupação envolve a voz do presidente. Assessores acompanham os esforços de Lula para controlar episódios de rouquidão, considerados um fator que pode alterar o tom das respostas durante confrontos ao vivo.

Estratégia já foi usada em reeleições

A ausência de presidentes em debates durante campanhas à reeleição tem precedentes na política brasileira.

Em 2006, Lula optou por não participar dos debates do primeiro turno enquanto liderava com ampla vantagem sobre Geraldo Alckmin, então candidato do PSDB. Já em 1998, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) também deixou de comparecer aos debates e venceu a disputa ainda no primeiro turno.

O cenário atual, no entanto, é diferente.

Pesquisas indicam disputa acirrada

A última pesquisa Datafolha mostrou Lula com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 36%, configurando empate técnico dentro da margem de erro.

A diferença de três pontos é a menor registrada desde a primeira quinzena de maio, quando o petista marcava 38% contra 35% do adversário.

Primeiro debate teve menor quórum desde 1989

O primeiro debate presidencial da campanha de 2026, realizado em 23 de agosto, contou apenas com Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury.

A ausência de Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema fez com que o evento registrasse o menor número de participantes em um debate inaugural desde 1989, quando as emissoras passaram a promover encontros desse tipo durante as eleições presidenciais.