O Governo do Acre exonerou o padrasto do adolescente de 13 anos apreendido após o ataque a tiros no Instituto São José, em Rio Branco, que deixou duas funcionárias mortas na terça-feira (5). A pistola utilizada pertence ao homem, segundo as investigações. Ele ocupava um cargo em comissão.

A exoneração foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Estado, junto de outras medidas adotadas pela governadora Mailza Assis Cameli (PP), entre elas o decreto de luto oficial de três dias pelas vítimas.

Em nota, a defesa do padrasto afirmou que o adolescente teve acesso indevido à arma de fogo, “sem autorização ou conhecimento prévio”.

O texto diz ainda que o investigado “não teve qualquer participação, incentivo ou anuência” nos atos praticados pelo enteado.

Os advogados afirmaram também que ele se apresentou voluntariamente às autoridades após tomar conhecimento do caso e que tem colaborado com as investigações.

Segundo a Polícia Civil, foi registrado um TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência) contra o padrasto. Ele foi detido na terça, interrogado e liberado em seguida.

A defesa do adolescente disse que o processo encontra-se sob sigilo e que ele está sob a custódia do Estado, seguindo assim até o final da instrução processual.

Quatro pessoas foram atingidas pelos disparos, sendo três funcionárias e um aluno. Morreram a auxiliar administrativa Raquel Sales Feitosa, 36, e a coordenadora de ensino Alzenir Pereira da Silva, 53.

Nesta quarta, o velório de Alzenir reuniu um pequeno grupo de amigos e familiares na casa onde ela morava no bairro Cidade Nova. Dona Zena, como era conhecida, trabalhava no colégio havia 19 anos. Ela deixa dois filhos e seis netos. Uma das filhas, Taciane, está grávida de nove meses.

Casado com Alzenir há 33 anos, Roberto Silva descreveu a esposa como insubstituível e carinhosa. “Ela era minha base, era meu tudo, era manutenção de tudo que eu fazia”, contou. “Era uma boa mãe, uma boa avó, uma ótima esposa. Nenhuma pessoa vai substituir ela, nem chega nem nos pés dela. Está para nascer uma pessoa igual a ela.”

Silva disse ainda que semanas atrás a esposa comentou sobre uma suposta ameaça de ataque à escola, mas o assunto caiu no esquecimento. Ele não detalhou quais seriam as circunstâncias da ameaça e quem a teria feito.

Já o velório da outra vítima, Raquel Sales Feitosa, 37, ocorreu na capela de uma funerária, no bairro Bosque.

Familiares e amigos do curso de enfermagem, onde ela estudava, prestaram várias homenagens. Raquel cursava o 7º período do curso, que funciona na mesma escola onde ocorreu a tragédia.

Casada com Gilvan Feitosa, Raquel deixa o filho Artur, 7. Ela conciliava o trabalho de coordenadora de ensino com a faculdade de enfermagem e iria se formar em dezembro.

As duas pessoas feridas no ataque receberam alta hospitalar. Uma criança de 11 anos passou por avaliação multiprofissional, incluindo atendimento psicológico, não apresentou fraturas nem sangramento ativo e teve alta após a retirada do projétil que atingiu uma das pernas.

Já uma servidora atingida no ataque também deixou o hospital. Ela deverá passar por um procedimento cirúrgico ambulatorial previamente agendado.

A polícia informou ainda que o adolescente segue apreendido. O celular dele foi recolhido e as investigações trabalham com diferentes linhas para tentar identificar o que levou o garoto a cometer o ataque.

O Instituto São José é uma escola estadual. A SEE (Secretaria de Estado de Educação e Cultura) suspendeu todas as aulas da rede estadual por três dias.