Um relatório sigiloso da Polícia Federal aponta o candidato do União Brasil ao governo da Bahia, ACM Neto, como suposta liderança de uma organização investigada por fraudes e superfaturamento em contratos públicos. O documento integra a Operação Overclean e foi produzido em novembro de 2025.
Segundo os investigadores, registros encontrados no celular do empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, mostram 232 contatos com ACM Neto entre agosto e dezembro de 2024. A PF relaciona o caso a suspeitas de direcionamento de licitações e contratos na Secretaria de Educação de Belo Horizonte, entre 2024 e 2025. Ao menos três contratos investigados somam mais de R$ 80 milhões.
A PF pediu ao Supremo Tribunal Federal autorização para realizar busca contra ACM Neto e bloquear até R$ 77,8 milhões em bens e valores. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, havia se manifestado favoravelmente às medidas. O ministro Kassio Nunes Marques, porém, rejeitou os pedidos contra o candidato por considerar insuficientes, naquele momento, os elementos apresentados para justificar as medidas.
A investigação continua em andamento. A defesa de ACM Neto nega envolvimento nas irregularidades e afirma que a divulgação das informações representa uma tentativa de interferência no processo eleitoral por meio de vazamentos seletivos. Até o momento, as informações divulgadas tratam de suspeitas investigadas pela PF, e não de uma condenação contra o candidato.