Após a trégua com o Irã, Israel realizou ataques ao Líbano, resultando em dezenas de mortos e centenas de feridos, conforme o Ministério da Saúde libanês. Apesar do cessar-fogo mediado pelos EUA, Israel não considera a trégua aplicável ao Líbano e bombardeou alvos do Hezbollah. A ONU e entidades internacionais condenam a retórica agressiva de Trump, alertando para riscos de violação dos direitos humanos.

Dezenas de pessoas morreram e centenas ficaram feridas nos ataques realizados por Israel contra o Líbano após a trégua com o Irã, segundo informou o Ministério da Saúde libanês. Os bombardeios atingiram diferentes áreas do país.

Colunas de fumaça foram vistas em diferentes pontos da cidade e da região metropolitana, de acordo com imagens da AFPTV. Jornalistas da AFP relataram cenas de pânico nas ruas da capital após as explosões.

As Forças Armadas israelenses (IDF, na sigla em inglês) confirmaram, ainda, o bombardeio de mais de cem alvos do grupo armado pró-Irã em diversos pontos do país ao longo de pouco menos de dez minutos, de acordo com informações da agência internacional Associated Press.

O IDF afirmou, ainda, que tem como alvos estruturas de ataque aéreo, centros de comando e de inteligência do Hezbollah.

‘Alerta elevado’

O Exército israelense indicou nesta quarta-feira ter suspendido seus ataques contra o Irã após completar uma série de bombardeios noturnos, mas destacou que permanece em alerta para responder a qualquer eventual violação do cessar-fogo anunciado por Washington.

“Seguindo as diretrizes do comando político, o Exército cessou o fogo na campanha contra o Irã e se mantém em estado de alerta elevado, pronto para responder a qualquer violação” da trégua, indicaram as forças armadas em um comunicado.

“Na madrugada de quarta-feira, [as forças armadas israelenses] executaram uma ampla onda de ataques contra pontos de lançamento de mísseis” em diferentes locais do Irã, acrescentou o texto.

Nesta terça-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o cessar-fogo de duas semanas com apoio de Irã e Israel, a poucas horas do fim do ultimato para a reabertura do Estreito de Ormuz, enquanto negociações mais amplas seguem previstas.

A trégua, mediada pelo Paquistão, contrasta com declarações anteriores do republicano, que chegou a ameaçar a destruição de “toda uma civilização”, gerando críticas internacionais e questionamentos legais.

Organismos como ONU e Anistia Internacional classificaram a retórica como potencial violação do direito internacional humanitário, enquanto aliados e opositores nos EUA também reagiram com preocupação.

Apesar da pausa, o conflito já atingiu infraestruturas civis estratégicas, elevando o risco de escalada regional e até de incidente nuclear, segundo agências internacionais.

Sob pressão interna e externa, tanto Washington quanto Teerã tentam capitalizar a trégua, ainda que as exigências para um acordo definitivo indiquem um caminho prolongado para o fim da guerra.