Ontem (27), em entrevista à rádio Baiana FM, o senador Angelo Coronel (Republicanos) declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pela Presidência da República nas eleições de outubro.

“Eu vou votar no Flávio, vou fazer campanha, vou até o fim. Nessas andanças minhas já tenho pedido e vou continuar pedindo. Eu acredito na mudança e na renovação da política. Tem que dar oportunidade aos outros”, afirmou.

Na mesma entrevista, o senador baiano relembrou seu posicionamento nas eleições presidenciais de 2022. “Dizer que eu não torcia para a eleição de Bolsonaro eu estaria mentindo, mas eu votei na época em Lula”, disse.

Coronel também avaliou o cenário político na Bahia e afirmou que o Partido dos Trabalhadores (PT) perdeu força no estado. Segundo ele, o momento atual é diferente de ciclos anteriores de hegemonia eleitoral. “Pelo amor de Deus, petistas, não me venham dizer que a onda 13 está ativa. Vocês não são cegos e nem burros, vocês estão vendo. A onda 13 zerou. Para mim a onda 13 já naufragou”, declarou.

O senador projetou ainda a possibilidade de alternância política no estado nos próximos anos, ao citar ciclos históricos de mudanças. “Eu não sei te dizer se na eleição daqui a cinco meses esse fenômeno vai se repetir. Em 86, Waldir venceu, 20 anos depois Wagner ganhou. De 20 em 20 anos o fenômeno se repete. A cada 20 anos vem uma mudança grande”, afirmou.

Durante a entrevista, Coronel também criticou a atuação do Poder Judiciário no país, ao defender que há um desequilíbrio entre os poderes. “Eu acredito ainda que a gente viva em uma democracia, apesar de que estamos vivendo em uma ditadura do Judiciário. Eu acho que o Judiciário está extrapolando nas suas ações e isso está deixando o Executivo e o parlamento a reboque do Poder Judiciário”, argumentou.

Ao comentar o desempenho do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o senador reconheceu a atuação do magistrado, mas apontou excessos. “Ele teve um papel muito importante em um período. Eu sou até suspeito, porque eu me dou muito bem com ele, de frequentar, inclusive, a minha residência em Brasília. Conheço muito ele. Agora pecou, cometeu muitos excessos, e que esses excessos não podem ser permitidos no dia de hoje”.

Coronel também abordou a discussão sobre a jornada de trabalho e apresentou uma posição diferente da que havia manifestado anteriormente. Após ter defendido a manutenção da escala 6×1 em declarações recentes, o senador afirmou não ser contrário a mudanças, mas condicionou qualquer alteração a medidas de compensação para o setor empresarial.

“Eu não sou contra a escala 5×2, mas quero saber a compensação que o empresário vai ter com essa mudança. O governo tem que desonerar a folha em relação ao período de folga do trabalhador. O governo tem que dar sua dose de sacrifício, não é só o empregador”, afirmou.

Ele também destacou a importância do papel dos empregadores na economia. “Não dá para só o empresário pagar a conta. Eu defenderei o empregador em qualquer circunstância. Só tem empregado, porque tem o empregador”, completou.